segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

A delicada questão do celibato entre os padres

O celibato é a ausência de atividade sexual na vida de uma pessoa e por isso se enquadra também ao voto de castidade que os padres fazem, ficando impedidos de se casarem ou ter relacionamento amoroso. Atualmente o tema tem sido uma questão delicada diante de notícias de escândalos sexuais que parecem ocorrer com certa freqüência entre alguns celibatários da igreja católica.
Em 1917 os videntes de Fátima alertaram sobre uma profecia de que chegaria um tempo em que satanás estaria por trás de certos acontecimentos terríveis no mundo, promovendo discórdias e conseguindo até mesmo penetrar nas fileiras da igreja criando escândalos de toda natureza.
Naquele tempo, os videntes recomendaram que os fiéis, após as missas, rezassem com o celebrante, uma oração para a conversão da Rússia que estava prestes a espalhar os seus erros pelo mundo todo. O povo rezou, a guerra acabou e a Rússia já se encontra em fase de conversão. Notável é o poder da oração em comunidade!
Hoje diante de notícias de tantos escândalos sexuais envolvendo padres, ao invés de apenas criticar e espalhar mais ainda os fatos e os boatos, deveríamos rezar por eles. Que as autoridades eclesiásticas estudem a possibilidade de implantar em cada celebração, uma oração que seria rezada pelos fiéis junto com o sacerdote, pedindo à Deus pelos padres, principalmente por aqueles mais expostos às fragilidades humanas. Digo isso com a convicção de conhecer o poder da oração.
Cumprir um voto de castidade nos dias de hoje não é apenas um sacrifício, mas um martírio, por causa da cultura moderna, onde não há censura, falta respeito, tudo é liberado e patrocinado pela eficácia da comunicação que dá voltas ao mundo em poucos segundos, mas que virou “faca de dois gumes”.
Segundo alguns estudiosos, após a ressurreição de Cristo, demorou ainda quase mil anos para surgir os primeiros padres católicos. Consta ainda que os primeiros sacerdotes eram casados e tinham filhos. Um papa posterior implantou o sistema de celibato, por causa de uma passagem bíblica de São Paulo.
Por outro lado o próprio Cristo, com referência ao assunto de castidade, em uma ocasião, disse: “Quem puder aceitar isto, aceite-o” (Mt 19.12), mostrando que nem todos estavam aptos a receber tal preceito, acrescentando que “nem todos poderiam receber esta palavra, mas somente aqueles a quem foi concedido recebê-la” (v.11). Parece que o Mestre deixou claro que deve ser uma opção pessoal, pois nem todos têm os mesmos sentimentos.
Além disto, parece que Deus age segundo a cultura dos povos. O mesmo Deus (o Senhor dos Exércitos) que no antigo testamento parecia tão severo que até mandava Israel, durante as guerras, trespassar os inimigos a fio de espada (até as crianças), este mesmo Deus mandou seu filho ao mundo para explicar que doravante devemos perdoar e amar até os nossos inimigos, tendo Ele abolido também o antigo sacrifício de imolar cordeiros para se tornar ele próprio “o cordeiro” sacrificado para a expiação dos pecados de toda a humanidade.
É que, a cultura daquele povo foi mudando até chegar no limite, quando houve a necessidade de uma nova era, que é esta era cristã cuja cultura está chegando de novo a um limite. Alguma coisa pode acontecer e não vai demorar, pois a cultura de hoje exige mudanças, muitas mudanças...
Fala-se que primeiramente estabeleceu-se a era do Pai, no antigo testamento. Agora vivemos a era do Filho. Em seguida virá a era Pentecostal (a do Espírito Santo), que estaria prestes a chegar.
Como da vez anterior, os mais conservadores não vão aceitar e haverá muitos conflitos.
Quem está ligado em algumas supostas profecias, espera grandes mudanças na Igreja católica durante a gestão do atual papa Bento XVI. Há quem garanta que uma delas será a mudança do celibato obrigatório para o celibato opcional, isto é, cada seminarista ao ordenar padre, escolherá, conforme suas limitações, se deve optar ou não ao voto de castidade. É claro que não deverá haver discriminações e preferências pela celebração feita por um padre celibatário ou por um casado, pois, de acordo com a nossa cultura parece que a humanidade está também chegando a uma consciência de que todos nós estamos no mesmo nível: cada um tem defeitos, ninguém é perfeito e por isso ninguém pode “atirar a primeira pedra”.
Os padres casados gostam de lembrar que 39 papas foram casados, inclusive (segundo a tradição católica) o primeiro deles, o apóstolo Pedro, cuja sogra Jesus curou (Mt 8.14-15).
Também consta que quase todos os apóstolos eram casados, tinham suas famílias e no entanto, como não existiam ainda os sacerdotes, eles mesmos celebravam, nas casas dos discípulos, a memória de Cristo recomendada na última ceia.
Eu, particularmente, não sou contra o celibato, acho até uma virtude e um sacrifício muito válido. Mas diante de alguns escândalos que temos visto acontecer, que em muito tem denegrido a imagem da igreja, é mais viável que o celibato seja opcional e os padres que quiserem possam se casar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário